É como se tivesse uma mão, dessas bem fortes, apertando meu peito, segurando com força, deixando tudo virar farelo dentro de mim. Sinto-me fraca. Quando ele me olha, me beija, me pede, me enfraquece até os ossos. Transforma tudo em nada e nada em tudo. Porque tanta complicação? Porque tantas coisas erradas? Porque tanta mágoa? Passar por cima de tudo que se acredita, passar por cima de tudo que dói, tentar apagar o que se viu um dia, arrancar as cenas da memória. E vem as palavras que doem, é a mão que aperta o peito de novo, cada vez mais forte.
Segurar o choro, encher o pulmão de ar, colocar roupas e sapatos dentro da primeira sacola e ir embora sem olhar pra trás, como se não doesse. Caminhar pela rua como se estivesse tudo bem. Se essas pessoas olhassem o que tem dentro de mim nesse momento, chorariam comigo, doeriam comigo, quem sabe até teriam pena de mim. É tristeza de dilacerar o coração. Tudo que poderia ser evitado, se não fosse essa minha mania de seguir meus princípios, de ter meus valores, de querer tornar todo mundo, inclusive o príncipe encantado, uma pessoa melhor.
É o preço que tenho que pagar. É mais um sacrifício pra que tudo dê certo. E eu boto fé que não se vive nada à toa. Que todas aquelas noites de riso fácil e amor transbordando não foram em vão. Passar por cima de tudo que passamos, lutar constantemente contra as lembranças ruins, a tentativa de esquecer tudo aquilo que faz um mal danado... ah, não pode ser tudo jogado fora assim.
Minto se digo que não há mais amor. Amor é o que mais há. Mas eu descobri, da forma mais dolorida possível, que amor não é tudo. Além do amor, existe mais uma série de coisas que são importantissimas, essenciais, pra consolidar uma relação. Mas admito que ter amor já é meio caminho andado. Digamos que o amor é 6 meses de um ano. E meia vida de uma vida. É tudo junto. É a palavra que falta, é a dor. Amor é, vejam só, a mão que aperta o peito e deixa tudo em pedacinhos.
domingo, 28 de novembro de 2010
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