A gente apanha dessa merda de vida, urra de dor, grita, arde, dói. E sorri. Que nem criança quando ganha pirulito pra sair do castigo. É uma coisinha que deixe o coração leve e foi-se, estamos nós sorrindo. E eu querendo falar sobre estrelas e sobre essa chuva que não passa e como eu sinto falta de alguém que escute reggae comigo. Posso cantar? I wanna love yoooou, and treath you rightttttt ... e ninguém escuta. E ninguém escuta porquê ninguém vê. Ninguém me vê. Mas eu me enxergo. E enxergo alguém meio triste, meio boba alegre e não sabe muito bem o que faz aqui, mas continua aqui. E ganhei um pirulito hoje.
É dia de festa esse tal de sábado, com esse monte de garotas robôs que se vestem iguais, usam as mesmas sandálias, fazem o mesmo tipo de tatuagem, fazem chapinha e tonalizam as luzes do cabelo da mesma cor. E eu. Igual a elas não querendo ser igual à elas e elas querendo ser iguais à todo um resto que igual à mim, não sabe porque existem. Mas a gente existe. E vem o domingo que nos dá uma vontade louca de ser de alguém depois do meio dia. Alguém que faça o churrasco, que queira tomar sorvete ou ver o futebol. Passeie no sol. E que não tenha embebedado a alma um dia antes pra conseguir mostrar os dentes pra toda essa merda.
Mas eu não achei ninguém assim ainda. E vem a segunda-feira que a gente quer esquecer e voltar pra essa porcariazinha. E eu querendo falar sobre as estrelas, porque elas brilham e só aparecem na parte mais interessante da vida. E a terça-feira pesa, a quarta-feira enjoa e a quinta nos dá uma esperança de que tudo acabe logo. E chega a sexta-feira e alguns se jogam no sofá com vontade de nunca mais levantar dali e outros começam a embebedar a alma desde já. E tudo de novo. Um script sem fim. E gente sorrindo pra gente que nem conhece e gente beijando gente que nem conhece e gente transando com gente que nem conhece e gente querendo dar amor pra quem um dia há de conhecer. Eu to nessa última opção. A vida desse jeito não tem graça.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
VAMO!
"Vamo?" "Vamo!" E foi só o começo. E eu sempre quis que alguém começasse assim qualquer pseudo-relação comigo. E então vamos logo, vamos que eu tenho pressa de te sentir, embora você não saiba. Mas pra onde? Não faço idéia. Nem ele faz. Então qualquer lugar serve. Mas vamos, anda, me leva. E lá vamos nós pra qualquer lugar. Pra eu sentir ele, em qualquer lugar.
Ele é o cara mais charmoso de todos os caras. Não é o mais bonito, mas só em ser do jeito que é e ter o charme que tem, eu afirmo que não precisa de muito mais coisas não... e dá vontade de encurtar a estrada. Enquanto ele fala de como eu devo agir pra ficar menos insegura (substitua o insegura que ele usou por chata, mala, carente, grude), eu fico desejando o pé dele colado no meu. E ele falando e eu fingindo atenção máxima no assunto. Mas sabe o que eu queria te dizer mesmo? Que eu quero sentir esse aparelho da tua boca na minha orelha.
Eu to louca pra fazer charme pra ele. Mas não consigo. Esqueci que quem tem essa característica aqui é ele. Queria que ele sentisse vontade de colar o pé dele no meu, queria sentir os ilíacos dele, já que ele é tão magrinho e dá essa vontade de levar pra casa. Todas minhas tentativas vão por água abaixo. Não adianta, eu sempre perco pra esses tipinhos que não fazem esforço nenhum pra nos cativar, e cativam de um jeitinho sem igual.
Eu sorrio boba quando chega mensagem dele no celular. Como se eu não sorrisse boba só de pensar nele, no aparelho, nos ilíacos. Eu dedico pagode pra ele, enquanto ele merece Caetano. Ele nem se importa. Ele sorri, com aquele aparelho que despertou em mim de novo uma tara que eu tinha quando mais nova por garotos de aparelho. Eu analisando ele com meu pensamento de quem não tem mais nada pra fazer o dia todo e por isso pode passar o dia pensando nele.
Ele é feliz daquele jeito que dá vontade de ser feliz junto. Ele é a brincadeira mais séria que eu tenho. É a falta de cobrança que mais me faz dar satisfações. É a mesma escolha que meu pensamento faz todos os dias, mesmo com tantas opções. Ele vai dormir e manda mensagem. Eu me sinto numa felicidade extrema, porque na hora de dormir nosso pensamento vai até as pessoas que mais gostamos. Então eu respondo alguma coisa que não mostre tanto a minha vontade de gritar no telefone: "DORME NÃAÃÃO! VEM PRA CÁÁÁÁ! UM CARA TÃO CHARMOSO E MAGRINHO E QUERIDO E DE APARELHO E MIMOSO E IGUAL A VOCÊ NÃO PODE DORMIR LONGE DE MIM, NÃÃÃO!" Mas eu travo. Eu já falei do charme dele? Eu sei que sou repetitiva, mas realmente, a palavra charme no dicionário era pra ter o nome dele escrito do lado.
Eu queria agradecer ele pelos conselhos, pelos puxões de orelha, por ter aparecido na minha vida, e pelos mimos que ele me faz por telepatia (eu sei que faz). Agradecer pelas tantas coisas que ele deixa eu imaginar com ele, embora ele nem saiba. Mas como eu falo tudo isso? Dizendo 'obrigada' igual eu falo pro cara que me vende pão? Mas logo pra ele que é tão tudo isso, ele que é o próprio 'pão' como eu diria se tivesse nascido nos anos 60? Não posso. Por isso não falo nada. E espero. E vou pensando em todos os jeitos que meu corpo pode agradecer à ele. E quando ele chegar, vai entender bem o meu jeito de dizer 'obrigada, eu te adoro mesmo que por telepatia e com tanta distância, e adoro nossa sintonia, realmente, muito obrigada, garoto do charme irresistível'. Será o dia do 'VAMO!', com 400 pontos de exclamação.
Ele é o cara mais charmoso de todos os caras. Não é o mais bonito, mas só em ser do jeito que é e ter o charme que tem, eu afirmo que não precisa de muito mais coisas não... e dá vontade de encurtar a estrada. Enquanto ele fala de como eu devo agir pra ficar menos insegura (substitua o insegura que ele usou por chata, mala, carente, grude), eu fico desejando o pé dele colado no meu. E ele falando e eu fingindo atenção máxima no assunto. Mas sabe o que eu queria te dizer mesmo? Que eu quero sentir esse aparelho da tua boca na minha orelha.
Eu to louca pra fazer charme pra ele. Mas não consigo. Esqueci que quem tem essa característica aqui é ele. Queria que ele sentisse vontade de colar o pé dele no meu, queria sentir os ilíacos dele, já que ele é tão magrinho e dá essa vontade de levar pra casa. Todas minhas tentativas vão por água abaixo. Não adianta, eu sempre perco pra esses tipinhos que não fazem esforço nenhum pra nos cativar, e cativam de um jeitinho sem igual.
Eu sorrio boba quando chega mensagem dele no celular. Como se eu não sorrisse boba só de pensar nele, no aparelho, nos ilíacos. Eu dedico pagode pra ele, enquanto ele merece Caetano. Ele nem se importa. Ele sorri, com aquele aparelho que despertou em mim de novo uma tara que eu tinha quando mais nova por garotos de aparelho. Eu analisando ele com meu pensamento de quem não tem mais nada pra fazer o dia todo e por isso pode passar o dia pensando nele.
Ele é feliz daquele jeito que dá vontade de ser feliz junto. Ele é a brincadeira mais séria que eu tenho. É a falta de cobrança que mais me faz dar satisfações. É a mesma escolha que meu pensamento faz todos os dias, mesmo com tantas opções. Ele vai dormir e manda mensagem. Eu me sinto numa felicidade extrema, porque na hora de dormir nosso pensamento vai até as pessoas que mais gostamos. Então eu respondo alguma coisa que não mostre tanto a minha vontade de gritar no telefone: "DORME NÃAÃÃO! VEM PRA CÁÁÁÁ! UM CARA TÃO CHARMOSO E MAGRINHO E QUERIDO E DE APARELHO E MIMOSO E IGUAL A VOCÊ NÃO PODE DORMIR LONGE DE MIM, NÃÃÃO!" Mas eu travo. Eu já falei do charme dele? Eu sei que sou repetitiva, mas realmente, a palavra charme no dicionário era pra ter o nome dele escrito do lado.
Eu queria agradecer ele pelos conselhos, pelos puxões de orelha, por ter aparecido na minha vida, e pelos mimos que ele me faz por telepatia (eu sei que faz). Agradecer pelas tantas coisas que ele deixa eu imaginar com ele, embora ele nem saiba. Mas como eu falo tudo isso? Dizendo 'obrigada' igual eu falo pro cara que me vende pão? Mas logo pra ele que é tão tudo isso, ele que é o próprio 'pão' como eu diria se tivesse nascido nos anos 60? Não posso. Por isso não falo nada. E espero. E vou pensando em todos os jeitos que meu corpo pode agradecer à ele. E quando ele chegar, vai entender bem o meu jeito de dizer 'obrigada, eu te adoro mesmo que por telepatia e com tanta distância, e adoro nossa sintonia, realmente, muito obrigada, garoto do charme irresistível'. Será o dia do 'VAMO!', com 400 pontos de exclamação.
domingo, 18 de outubro de 2009
Não me ame tanto assim.
Ta começando a doer lá no escaninho da alma essa minha mania de te querer sempre aos pedaços, sempre no final da festa, sempre na noite perdida. Seus olhos tão vidrados em mim começam a perturbar meu sono e tudo que se fala é perdido no ar, em pequenas partículas, como se eu só ouvisse a voz do meu pensamento e te respondesse numa espécie de piloto automático. Não me pede o que eu não posso te dar, não faz com que tudo se perca. A gente vive coisas bonitas desse jeito pra eternizar, e não pra destruir. Deixa pra lá essa coisa toda de futuro, de mulher da sua vida, de casar e ter filhos. A gente planeja pra guardar e tantas vezes deixar os planos guardados é tão mais gostoso do que sair realizando sem sentir. A gente tem tanto mundo pra ver de perto, sentir o cheiro e o gosto ainda, que fica até chato pensar que amanhã tudo tem que se resolver antes que chegue ao fim. Não me ama tanto assim...
Porque o fim de uma coisa sempre é o começo de outra, que pode ser tão boa e tão intensa e tão profunda e tão livre. E eu peço pra vida que me leve pra longe de você, porque amar é tão bonito, mas amar demais é uma doença que faz com que eu me afaste na velocidade da luz. E mesmo assim você vem atrás. E chora e me marca e me beija e me abraça e faz ter tanto ódio de mim. Porque as pessoas tem essa mania de idolatria? Porque pra ser bom tem que ser um conto de fadas? Porque levar a vida em função de uma pessoa só, com tantas outras almas pra se conhecer e descobrir e tocar de todos os jeitos no mundo? Não chora não. Não me marca desse jeito triste e vazio. Não me beija com toda essa alma que se vicia em mim e depois me abraça com esse jeito de quem se despede, como se isso fosse o começo da morte. Não me faz ter esse ódio todo de mim por não saber como te curar de toda essa coisa toda que eu não sei o que é. Não me ama tanto assim...
Não tem realismo, só conto de fadas, daqueles que acaba com um felizes para sempre mas ninguém sabe o que acontece quando se fecha o livro, ninguém sabe quantas vezes a princesa deitou do lado do príncipe imaginando o que se passa no mundo lá fora, além daquele castelo todo forjado que ele inventou. E se for pra me tornar a sua rapunzel presa nessa torre sem cor e nem nada de mundo, eu prefiro ser a chapéuzinho vermelho que corre perigo sozinha no bosque, mas é especialista no sabor dos doces e nos cheiros da floresta.
Porque o fim de uma coisa sempre é o começo de outra, que pode ser tão boa e tão intensa e tão profunda e tão livre. E eu peço pra vida que me leve pra longe de você, porque amar é tão bonito, mas amar demais é uma doença que faz com que eu me afaste na velocidade da luz. E mesmo assim você vem atrás. E chora e me marca e me beija e me abraça e faz ter tanto ódio de mim. Porque as pessoas tem essa mania de idolatria? Porque pra ser bom tem que ser um conto de fadas? Porque levar a vida em função de uma pessoa só, com tantas outras almas pra se conhecer e descobrir e tocar de todos os jeitos no mundo? Não chora não. Não me marca desse jeito triste e vazio. Não me beija com toda essa alma que se vicia em mim e depois me abraça com esse jeito de quem se despede, como se isso fosse o começo da morte. Não me faz ter esse ódio todo de mim por não saber como te curar de toda essa coisa toda que eu não sei o que é. Não me ama tanto assim...
Não tem realismo, só conto de fadas, daqueles que acaba com um felizes para sempre mas ninguém sabe o que acontece quando se fecha o livro, ninguém sabe quantas vezes a princesa deitou do lado do príncipe imaginando o que se passa no mundo lá fora, além daquele castelo todo forjado que ele inventou. E se for pra me tornar a sua rapunzel presa nessa torre sem cor e nem nada de mundo, eu prefiro ser a chapéuzinho vermelho que corre perigo sozinha no bosque, mas é especialista no sabor dos doces e nos cheiros da floresta.
domingo, 13 de setembro de 2009
Querer no passado
Queria que você entendesse que dói tanto em mim como em você. Queria que você colocasse sua cabeça no lugar. Queria que você fosse menos infantil. Queria que você soubesse dialogar ao invés de discutir, ao invés de se calar. Queria que você soubesse analisar os fatos e tirar conclusões. Queria que você fosse menos mimado. Queria que você fosse menos filhinho da mamãe. Queria que você arrumasse um emprego. Queria que você gostasse de ler. Queria que você fosse uma pessoa mais culta. Queria que você tivesse mais ambição. Queria que você deixasse de ser um garotinho que chora quando perde algo e se tornasse um homem que corre atrás do que quer. Queria que você levasse a vida um pouqunho só mais à sério, sem perder esse seu senso de humor que é uma das poucas coisas que eu ainda admiro em você. Queria que você não sofresse tanto. Queria que você compreendesse melhor os meus motivos. Queria que você parasse de me seguir na rua, e parasse de aparecer em qualquer lugar que eu esteja, porque eu te vejo me espiando até mesmo quando você não está. Queria tanto que a gente tivesse dado certo, mas mais uma vez não deu. Só queria, e hoje não quero mais nada. Queria, no passado. Queria você. Queria deixar pra lá. Queria, e ter que deixar esse verbo conjugado no passado dói no presente e atravessa o futuro.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Teve que ser assim
Você perdeu a capacidade de fazer o céu mudar de cor com um sorriso e isso acaba com a minha vontade de te ter ao meu lado. E é tão estranho alguma coisa doer aqui dentro por você. Logo por você que quer continuar aqui. E logo eu que tenho o dom de trazer a dor pros outros mas nunca senti-la realmente. Mas teve que ser assim, mesmo que você me faça tanta falta. E cadê você e seu carro barulhento, seu cigarro fedorento e suas brincadeiras imbecis que me faziam rir tanto? Simplesmente evaporaram. E a dor está aqui. E eu quem quis assim. E eu te trouxe a dor. E eu estou doendo junto, e você não imagina o quanto. E as minhas palavras frias e as minhas frases de gente grande são só pra esconder tanta dor e tanta falta que você me faz. Mas teve que ser assim e isso não se muda. Teve que ser assim e isso é a única coisa que eu posso fazer por nós.
Que alívio em não ver você do meu lado, feito um peso morto achando que tudo está bem. Que bom é poder te falar a verdade sobre tudo que eu sinto. E por mais que tudo isso doa, teve que ser assim e não há nada que você possa dizer que me fará voltar. Dói e isso me espanta. E a minha falta de flexibilidade ou excesso dela poderia ter estragado tudo. Mas eu salvei tudo e me sinto melhor assim, mesmo que corroa tanto por dentro. O jeito é guardar a aliança. Nem sempre acaba o amor quando acaba o relacionamento e essa é a única certeza que temos. Nem sempre ficam só coisas boas pra lembrar. Nem sempre o amor é maior que os problemas da convivência. E se tem que ser assim pra saírmos vivos dessa, assim vai ser.
Você e seus olhos marejados, você e suas palavras repetitivas, você e seu jeito de não saber como se expressar, você e o seu não querer entender o porquê disso tudo. E tudo que eu posso te falar pra justificar minhas queixas é que tem que ser assim, não tem outro jeito. E daqui há mil anos você vai entender que realmente teve que ser assim, não é uma questão de escolha. E essa confusão toda. E todos esses seus amigos querendo mexer nas nossas feridas. E toda essa sua necessidade de expôr o quanto me ama. E toda a raiva que o mundo tem de mim pelo fato de eu colocar sempre a razão antes do coração. Apedreja aí, galera. Vai, acabem comigo. Porque tudo que eu vou falar na cruz é que teve que ser assim, os motivos são só meus e ninguém tem nada a ver com isso, ninguém entende o que se passa dentro de mim e eu não quero que entendam mesmo.
Quem sabe amanhã, ou depois, eu não volte atrás. Mas agora tem que ser assim, antes que eu enlouqueça. Desgostar do que era tão gostoso é a pior sensação de todas que eu já tive, cansar do que alegrava meus dias dói mais em mim do que em você. E por isso tem que ser assim. E você só vai entender quando sentir o mesmo por alguém. E você vai saber que o meu jeito de levar a vida não é nenhum crime, e que eu não planejo fazer o mal à alguém, eu não bolo planos pra partir corações, simplesmente teve que ser assim. Você aí, eu aqui e o mundo pra nós dois. E eu espero não te perder de vista, mas manter a distância exata pra te cuidar sem que você note minha presença. E que suas lágrimas sequem logo pra que você entenda que não é absurdo. Teve que ser assim é só o que tenho pra te dizer, e fim.
Que alívio em não ver você do meu lado, feito um peso morto achando que tudo está bem. Que bom é poder te falar a verdade sobre tudo que eu sinto. E por mais que tudo isso doa, teve que ser assim e não há nada que você possa dizer que me fará voltar. Dói e isso me espanta. E a minha falta de flexibilidade ou excesso dela poderia ter estragado tudo. Mas eu salvei tudo e me sinto melhor assim, mesmo que corroa tanto por dentro. O jeito é guardar a aliança. Nem sempre acaba o amor quando acaba o relacionamento e essa é a única certeza que temos. Nem sempre ficam só coisas boas pra lembrar. Nem sempre o amor é maior que os problemas da convivência. E se tem que ser assim pra saírmos vivos dessa, assim vai ser.
Você e seus olhos marejados, você e suas palavras repetitivas, você e seu jeito de não saber como se expressar, você e o seu não querer entender o porquê disso tudo. E tudo que eu posso te falar pra justificar minhas queixas é que tem que ser assim, não tem outro jeito. E daqui há mil anos você vai entender que realmente teve que ser assim, não é uma questão de escolha. E essa confusão toda. E todos esses seus amigos querendo mexer nas nossas feridas. E toda essa sua necessidade de expôr o quanto me ama. E toda a raiva que o mundo tem de mim pelo fato de eu colocar sempre a razão antes do coração. Apedreja aí, galera. Vai, acabem comigo. Porque tudo que eu vou falar na cruz é que teve que ser assim, os motivos são só meus e ninguém tem nada a ver com isso, ninguém entende o que se passa dentro de mim e eu não quero que entendam mesmo.
Quem sabe amanhã, ou depois, eu não volte atrás. Mas agora tem que ser assim, antes que eu enlouqueça. Desgostar do que era tão gostoso é a pior sensação de todas que eu já tive, cansar do que alegrava meus dias dói mais em mim do que em você. E por isso tem que ser assim. E você só vai entender quando sentir o mesmo por alguém. E você vai saber que o meu jeito de levar a vida não é nenhum crime, e que eu não planejo fazer o mal à alguém, eu não bolo planos pra partir corações, simplesmente teve que ser assim. Você aí, eu aqui e o mundo pra nós dois. E eu espero não te perder de vista, mas manter a distância exata pra te cuidar sem que você note minha presença. E que suas lágrimas sequem logo pra que você entenda que não é absurdo. Teve que ser assim é só o que tenho pra te dizer, e fim.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Fastama
É como se qualquer sinal seu, por mínimo que seja, me desestabilizasse de uma forma sem explicação. Você não existe. Por mais forte que eu seja, você me ganha, me vence, me tira do sério sem precisar chegar perto. Me ignora e eu fico sem chão. Faz charme e me paralisa. Vai embora sem dar tchau, chega de surpresa, eu simplesmente odeio você. E amo. E amo tanto. E odeio tanto. E odeio o fato de você não existir mais. E amo seu fantasma desesperadamente. Desde aquele verão, mesmo depois dos tantos caras (e fantasmas) que passaram na minha vida, não há um só dia que eu não pense em você. O seu doce já venceu, azedou e mesmo assim, eu te devoro de uma forma esfomeada. E o teu cheiro nojento de perfume caro impregna minha roupa, meu pescoço e o meu sonho. Tenho raiva do seu doce e do seu perfume caro. Tenho uma raiva absurda dos seus sinais. Porque eles acabam com todo o restinho de sensação boa que eu tinha de nós. Mas fantasmas assustam, e não causam sensações boas. Só a lembrança desses mortos e enterrados causam. E mesmo assim, dói. E terminam com minha auto estima, com minha esperança e com meu dia. Na minha cabecinha oca tudo poderia mudar uma hora dessas, mas você resolveu que mudaria primeiro e deixou de ser quem era, se tornou mais um idiota que anda por ai, fazendo volume nas ruas, enquanto poderia continuar sendo o cara que faz a melhor massa com sardinha do mundo. Resolveu namorar a morena alta com rosto assimétrico ao invés de estar até hoje com a loira querida do verão engraçado. Resolveu seguir sua vida, ao invés de parar o tempo ao meu lado. Ou melhor, se tornou um fantasma, que vaga por aí e puxa meus pés nas piores madrugadas de todas. Me deixou congelada. E eu com toda a minha força não te ganho nessa batalha que nós travamos há tanto tempo. Mesmo com todo meu calor não derreto esse gelo, não sei me mexer. Mesmo com toda a minha alegria de viver, fico com esse aperto no peito. E a culpa é sempre sua. É um fantasma tão ruim que quer me matar. Segue você e sua morena, você e sua faculdade ridícula, você e seu emprego no banco, você e seus colegas de trabalho que mais parecem amigos do trabalho voluntário feito no asilo. Devem estar todos mortos, fantasmas como você. Vou tomar meu melhor whisky e dormir. Antes posso até chorar, morrer de vontade de te ligar e falar tudo isso, chorar até secar, mas só vou tomar a porcaria do whisky e dormir. Amanhã acordo, e faço de conta que você não existe. E começo a fazer isso pro resto da vida. Você é uma farsa. Um fantasma mesmo mesmo. Um dia de verão mal terminado. Uma noite que não chega nunca pra esse pôr-do-sol ir embora. Essa nossa história mal começada e mal terminada não deixa eu fingir que você e seu rosto e seu sorriso e sua tatuagem e suas piadas toscas e sua massa maravilhosa e seu egoísmo e suas palavras na grama e seus deboches sem sentido e sua ignorância repentina e seu bom humor contagiante e suas mensagens inesperadas e suas massagens nos meus pés e seus sinais confusos e sua morena assimétrica e sua faculdade ridícula e seu emprego babaca e tudo que um dia poderia ter sido nosso simplesmente não existe. Embora pra você nem nada disso, nem eu nem nós existamos. Eu dou um jeito de te matar dentro de mim porque sei que já morri dentro de você há muito tempo, e de mim não tem fantasma nenhum.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Ruindade
Uma lista enorme no celular, uma cambada deles no site de relacionamentos, no MSN então, nem se fala. Homens amiga, claro. Vários deles, de todos os jeitos, tipos, comportamentos. Até aquele que conheci no último fim de semana, já entrou pra minha lista. Ele era bonito. Primeiro fator pra me aproximar. Ele era boa gente e claro, eu estava bêbada. Eu era engraçadinha no ápice do meu teor alcoólico. Era sábado, garotas más se embebedam aos sábados de madrugada, antes que o fim de semana vire uma chatisse sem tamanho, meu bem, o que você esperava?
O cara era legal, e eu vi aquele copo de whisky na mão dele. Que maravilha, ele faz parte dos que não querem que o fim de semana vire uma chatisse. É impressão minha ou ele está olhando pra mim? Eu devo estar com as bochechas rosadas. Sempre que bebo demais, transpiro e fico meio rosa. Ele também deve estar achando engraçado, pode rir. É impressão minha ou ele está vindo na minha direção? É, eu danço sim. É, vamos dançar então. É, te achei interessante também.
Esqueci de falar pra ele o quanto ele lembrava meu ex, que não valia nada. Enfim, o beijo dele era melhor. Sinceramente eu achei ele muito melhor. Ele beija bem, conversa bem, vem de boa família, não usa drogas, se veste bem, se comporta bem, faz faculdade, faz academia, e é bem bonito. Seria bom de mais pra mim. Desde quando eu gosto das coisas boas? Logo eu, acostumada com os caras mais cafajestes do mundo, jamais morreria de amores por um cara tão do bem assim.
Eu me apaixonaria por ele, se ele não fosse tão bom, tão decente. Você sabe, pessoas decentes não tem vez nesse mundo, quanto mais os homens decentes terem vez comigo. Logo eu, que tenho o dedo podre. Mas ele, coitado, não sabe disso. Está sendo sincero. Está sendo um bom moço. Está sendo quem ele é de verdade, e pior de tudo, ele acha que eu gosto de gente do bem. Pobrezinho, é bom demais pra ser verdade.
Ele me chama de linda. Ele adorou me conhecer. Ele me falou isso com todas as letras e mesmo que não me falasse, da pra ver nos olhos dele. Da pra sacar pelo jeito de bom moço fazendo de tudo pra agradar. Eu também, adorei conhece-lo, mas só pra ter a experiência de como é beijar um cara bonzinho. Dizem que a gente tem que provar de tudo, e eu queria provar o tipo de cara que liga no dia seguinte. Agora, to indo.
Quer dizer que você não vai inventar que seus amigos estão indo embora e você precisa ir junto, mesmo que não tenha vindo com eles? Mal sabe ele que isso não me cativa. Olha, na verdade eu só aceitei estar aqui com você porque achei que você fazia parte das pessoas que saem da casinha no fim de semana, que toma litros de vinho barato, que se entorpece porque não faz nada da vida no domingo e nem espera nada da vida, muito menos espera nada do domingo. Eu nem vi que você estava bem vestido, na verdade só reparei num copo de
Whisky na sua mão. Eu não me aproximaria se tivesse percebido antes, não quero problemas pro meu lado. Sou ruim demais pra lidar com eles. Alias, sou ruim de mais.
Aí eu vou ao banheiro porque não agüento gente boazinha por muito tempo. Retoco a maquiagem. Encho o olho d’agua, mas foi porque o delineador respingou um pouquinho, nada demais. Penso onde andará aquele infeliz. Não, não o bonzinho, o bonzinho está me esperando ali fora. O outro. O senhor ruindade, que me fazia companhia até ontem. O senhor brinquei de ser falcatrua. É desse que eu gosto. O bonzinho é distração. O bonzinho é carência. O que me mente é que levou meu coração (podre igual ao dele) embora. O que brincou com o que de melhor havia em mim (o pouco de bom que havia, vamos combinar).
Que saudade. Saudade é um sentimento ruim, não? Então saudade eu posso sentir. Tristeza também. Mas o senhor bondade me espera lá fora. Tenho que voltar a ser boa moça. Mas decidi que vou tomar outra cervejinha. Eu sou ruim, e preciso do álcool pra continuar engraçadinha, com minhas bochechas rosadas e com meu melhor sorriso forçado na cara. Eu sou ruim e não posso desmontar meu personagem, ainda é cedo demais. Nem amanheceu e bem, você sabe que garotas más só saem das festas quando o sol já cansou de nascer.
Que saudade, de novo. Mas agora estou indo pra casa, com o senhor bondade me levando, achando graça na minha risadinha de bêbada, achando graça das minhas piadinhas de bêbada, e ele não ultrapassa o limite de velocidade nem o sinal vermelho. Que triste conviver com gente boazinha. Que triste essa coisa sem emoção. Vai, acelera essa moto, ops, digo, carro. Moto quem tinha era o senhor ruindade. Caras bonzinhos andam de carro que o papai deu de presente pelo comportamento maravilhoso e porque ele passou no vestibular. Me larga na porta de casa, pede meu telefone, eu faço charminho porque toda garota ruim de verdade sabe que charme é algo ruim, porque deixa as pessoas bobas, encantadas. Mas dou o telefone. Dou outro beijinho. E tchau, tchau.
Entro em casa. Ufa, já posso tirar essa roupa e voltar a ser ruim. Mas não consigo mais. Quero ser a senhora Ruindade, mas o senhor Ruindade não é mais meu par. Dá raiva, e raiva é ruim, então eu posso sentir. Dá uma vontade de chorar. Desabo. Faz frio, mas dentro de mim faz mil graus. As bochechas estão rosadas, quentes e úmidas. Será que o cara bonzinho se comoveria? Lógico que sim. Mas e o senhor Ruindade? Acho que ele acharia graça. Pessoas ruins também riem. Ah, e como ria bonito aquele senhor Ruindade. Um sorriso que fazia qualquer mestre em disfarces acreditar que ali, só havia bondade e boas intenções. Se o mestre em disfarces acreditaria, porque não eu? Já posso ser ruim de novo, mas não tem graça ser ruim sem ele. Se ele estivesse aqui, seríamos pior que uma quadrilha do crime organizado. Piores que seriais killer. Se ele estivesse aqui seríamos tantas coisas... e quer saber? Isso sim seria bom de verdade.
O cara era legal, e eu vi aquele copo de whisky na mão dele. Que maravilha, ele faz parte dos que não querem que o fim de semana vire uma chatisse. É impressão minha ou ele está olhando pra mim? Eu devo estar com as bochechas rosadas. Sempre que bebo demais, transpiro e fico meio rosa. Ele também deve estar achando engraçado, pode rir. É impressão minha ou ele está vindo na minha direção? É, eu danço sim. É, vamos dançar então. É, te achei interessante também.
Esqueci de falar pra ele o quanto ele lembrava meu ex, que não valia nada. Enfim, o beijo dele era melhor. Sinceramente eu achei ele muito melhor. Ele beija bem, conversa bem, vem de boa família, não usa drogas, se veste bem, se comporta bem, faz faculdade, faz academia, e é bem bonito. Seria bom de mais pra mim. Desde quando eu gosto das coisas boas? Logo eu, acostumada com os caras mais cafajestes do mundo, jamais morreria de amores por um cara tão do bem assim.
Eu me apaixonaria por ele, se ele não fosse tão bom, tão decente. Você sabe, pessoas decentes não tem vez nesse mundo, quanto mais os homens decentes terem vez comigo. Logo eu, que tenho o dedo podre. Mas ele, coitado, não sabe disso. Está sendo sincero. Está sendo um bom moço. Está sendo quem ele é de verdade, e pior de tudo, ele acha que eu gosto de gente do bem. Pobrezinho, é bom demais pra ser verdade.
Ele me chama de linda. Ele adorou me conhecer. Ele me falou isso com todas as letras e mesmo que não me falasse, da pra ver nos olhos dele. Da pra sacar pelo jeito de bom moço fazendo de tudo pra agradar. Eu também, adorei conhece-lo, mas só pra ter a experiência de como é beijar um cara bonzinho. Dizem que a gente tem que provar de tudo, e eu queria provar o tipo de cara que liga no dia seguinte. Agora, to indo.
Quer dizer que você não vai inventar que seus amigos estão indo embora e você precisa ir junto, mesmo que não tenha vindo com eles? Mal sabe ele que isso não me cativa. Olha, na verdade eu só aceitei estar aqui com você porque achei que você fazia parte das pessoas que saem da casinha no fim de semana, que toma litros de vinho barato, que se entorpece porque não faz nada da vida no domingo e nem espera nada da vida, muito menos espera nada do domingo. Eu nem vi que você estava bem vestido, na verdade só reparei num copo de
Whisky na sua mão. Eu não me aproximaria se tivesse percebido antes, não quero problemas pro meu lado. Sou ruim demais pra lidar com eles. Alias, sou ruim de mais.
Aí eu vou ao banheiro porque não agüento gente boazinha por muito tempo. Retoco a maquiagem. Encho o olho d’agua, mas foi porque o delineador respingou um pouquinho, nada demais. Penso onde andará aquele infeliz. Não, não o bonzinho, o bonzinho está me esperando ali fora. O outro. O senhor ruindade, que me fazia companhia até ontem. O senhor brinquei de ser falcatrua. É desse que eu gosto. O bonzinho é distração. O bonzinho é carência. O que me mente é que levou meu coração (podre igual ao dele) embora. O que brincou com o que de melhor havia em mim (o pouco de bom que havia, vamos combinar).
Que saudade. Saudade é um sentimento ruim, não? Então saudade eu posso sentir. Tristeza também. Mas o senhor bondade me espera lá fora. Tenho que voltar a ser boa moça. Mas decidi que vou tomar outra cervejinha. Eu sou ruim, e preciso do álcool pra continuar engraçadinha, com minhas bochechas rosadas e com meu melhor sorriso forçado na cara. Eu sou ruim e não posso desmontar meu personagem, ainda é cedo demais. Nem amanheceu e bem, você sabe que garotas más só saem das festas quando o sol já cansou de nascer.
Que saudade, de novo. Mas agora estou indo pra casa, com o senhor bondade me levando, achando graça na minha risadinha de bêbada, achando graça das minhas piadinhas de bêbada, e ele não ultrapassa o limite de velocidade nem o sinal vermelho. Que triste conviver com gente boazinha. Que triste essa coisa sem emoção. Vai, acelera essa moto, ops, digo, carro. Moto quem tinha era o senhor ruindade. Caras bonzinhos andam de carro que o papai deu de presente pelo comportamento maravilhoso e porque ele passou no vestibular. Me larga na porta de casa, pede meu telefone, eu faço charminho porque toda garota ruim de verdade sabe que charme é algo ruim, porque deixa as pessoas bobas, encantadas. Mas dou o telefone. Dou outro beijinho. E tchau, tchau.
Entro em casa. Ufa, já posso tirar essa roupa e voltar a ser ruim. Mas não consigo mais. Quero ser a senhora Ruindade, mas o senhor Ruindade não é mais meu par. Dá raiva, e raiva é ruim, então eu posso sentir. Dá uma vontade de chorar. Desabo. Faz frio, mas dentro de mim faz mil graus. As bochechas estão rosadas, quentes e úmidas. Será que o cara bonzinho se comoveria? Lógico que sim. Mas e o senhor Ruindade? Acho que ele acharia graça. Pessoas ruins também riem. Ah, e como ria bonito aquele senhor Ruindade. Um sorriso que fazia qualquer mestre em disfarces acreditar que ali, só havia bondade e boas intenções. Se o mestre em disfarces acreditaria, porque não eu? Já posso ser ruim de novo, mas não tem graça ser ruim sem ele. Se ele estivesse aqui, seríamos pior que uma quadrilha do crime organizado. Piores que seriais killer. Se ele estivesse aqui seríamos tantas coisas... e quer saber? Isso sim seria bom de verdade.
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